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História Oral - Voeli 58 anos

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História Oral - Voeli 58 anos

Entrevista realizada com mulher de 58 anos.

Obs: essa foi a primeira historia oral que realizei para o nosso TCC.

Ligação com a Árvore do Conhecimento: 
História Oral
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Comentários

#1

Bacana Simone! Excelente início!

De um modo geral, você fez uma excelente entrevista sobre a relação do
usuário com a tecnologia. Conseguiu descobrir algo bem interessante:
ao invés do preconceito de que o idoso não usa nenhuma tecnologia,
fica evidente que o idoso usa algumas tecnologias, outras não. Muito
interessante o fato dela não usar caixa eletrônico mas usar internet
banking!

Mas o que você fez ainda não pode ser considerado uma história oral. A
entrevistada não contou nenhuma história do começo ao fim. Ela
descreveu fatos de uma forma genérica porque as suas perguntas foram
genéricas. E sempre que a entrevistada começa a entrar em algum
assunto específico, você já muda para um assunto genérico novamente.
Lá pelas tantas ela fala que as duas vezes que ela tentou ir no caixa
de banco teve que pedir ajuda e daí desistiu. Isso é uma história que
poderia ser explorada: "quando foi isso? pq vc precisava ir lá? como
vc se sentiu?"

Outro exemplo. Você pergunta: "você tem filhos? como você se comunica
com eles?" Você nem deixou ela contar quem são os filhos, quantos anos
tem, o que fazem da vida. Provavelmente aqui você encontraria os
maiores motivos de orgulho da vida dessa senhora, mas vc preferiu
focalizar apenas em como ela se comunica. O resultado é que você não
vai entender porque ela se comunica, a natureza das mensagens, apenas
vai entender quais são as tecnologias que ela utiliza.

Se esse é o objetivo da pesquisa, tudo bem. Mas a questão é: o que
você vai fazer com isso depois? Como você vai usar essas informações
para projetar? Se por exemplo ela diz que lê manual, não significa que
você tenha que incluir manual no seu projeto, pois outras pessoas
podem não ler manual. Ela pode ser uma exceção. Então, se forem fazer
entrevistas assim, terá que ser com uma amostragem maior de pessoas,
pois as informações que vocês estão conseguindo são de natureza
genérica.

Na história oral, é diferente. Você não está entrevistando usuários.
Você está conversando com pessoas. Você está tentando obter inspiração
e não informação. A relação entre o que a pessoa disser e as decisões
de design que forem tomadas não serão diretas do tipo: "se ela usa
manual, eu projeto um manual". A relação é mediada por uma
interpretação, ou seja, o que vocês entendem sobre o que ouviram. Se
vocês coletarem informações do tipo usa ou não usa, a interpretação
será bastante superficial, mas se vocês conseguirem histórias, a
interpretação vai longe.

Exercício rápido. Veja a diferença nas duas frases:

"O único recurso que eu utilizo (da TV) é ligar e mudar de canais."

"A TV nem pegava direito, era toda chuviscada, mas nós ficamos muito felizes."

De um modo geral, você entrou muito de sola no que vc queria saber. Vc
fez uma pergunta sobre a atuação dela como professora, que foi muito
bem, aí de repente pulou para o rádio, que é um assunto sem relação
alguma. Não é assim que uma conversa flui. Você transforma o diálogo
num interrogatório. Na história oral, o sujeito deve sentir que tem
capacidade de mostrar algo que ele quer mostrar.

Também é importante fazer perguntas mais abertas, do contrário você só
obterá uma informação específica. A pergunta: "você usa manual"
poderia receber respostas mais interessantes se fosse "e quando você
compra um novo produto, como é que você faz pra aprender?" Ao invés de
perguntar qual é a que você sente mais dificuldade, vc pode perguntar:
"como é a sua relação com o computador?"

Eu acho que se você fizer uma segunda entrevista com ela, pode
conseguir toda a profundidade que a história oral exige, mas terá que
mudar um pouco a forma como conduz.

Mas agora é momento de refletir se querem se aprofundar ou não. Com o
que vocês conseguiram dessa entrevista, já se sentem preparados para
projetar? É suficiente?

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