Forró da Conceição dos Gatos estimula a cultura local

Uma noite em que a sabedoria dançou de mãos dadas com a festança. No último sábado, 5 de outubro, foi realizada, no Vale do Capão, a quinta edição do Palco Livre. O evento, que celebrou o encerramento de mais um ciclo de oficinas do Projeto R.E.D.E.S.~C.D. na Chapada Diamantina contou com a ilustre presença da Banda Pé-de-Serra Brilhante da Conceição.

O grupo, que botou o público pra dançar no terreiro do Circo do Capão, é formado por quatro integrantes – José Ferreira Gomes, mais conhecido como Zezão, Manoel Batista dos Santos, o Maninho, Pedro José dos Santos, o Pedrinho, e o mais novo integrante, Damião. A Banda Brilhante da Conceição se originou em Conceição dos Gatos, distrito de Palmeiras (BA), há cerca de 15 anos, em pequenas festas tradicionais. Os amigos se reuniam e cada um pegava um instrumento para tocar forró.

Apesar de frequente, não foi a folia entre amigos que deu a liga pra formação da banda. O grande motivo foi o fato de um nativo, que era violonista, ter sofrido um acidente torrando farinha. Então, ele fez a promessa de ser presidente por sete anos da igreja. Dessa forma, todos os anos, nos festejos de São Pedro, o povo se reunia para entregar um ramo que passava uma noite em cada casa do vilarejo, durante o mês de junho. E justamente durante essa transferência, no percurso do ramo, que ocorria o forró, embalado pelos Brilhantes. E foi assim que, apesar de terem se passado os sete anos, o povo continuou realizando a festa, que se tornou tradição local, e marcou o início da banda.

Como diz Zezão, que coordena as cantorias e as batidas no pandeiro, tudo era diversão: “Era só uma brincadeira, todos se divertiam e dançavam forró... até mesmo os jovens”. Ao ouvir tal frase do vocalista do grupo, ficou clara uma certa ironia na ênfase de “até mesmo os jovens”. Perguntado se os jovens daquela época se comportavam de maneira diferente da atualidade, Zezão apertou seus olhos sábios e ativos para responder. “Os jovens de hoje em dia não chegam aos pés dos de antigamente. Antes eles valorizavam a cultura local e preservavam os costumes, os de hoje em dia só querem saber de cantar Ah, Le lek lek lek!”, disse.

Os integrantes da Banda Pé de Serra Brilhante nunca tiveram aulas de música. Perguntamos a eles com quem aprenderam a tocar forró. A resposta já estava pronta, na ponta da língua de Zezão: “Com o tempo... o tempo ensina muita coisa”.

E simplesmente ficamos em silêncio, ao observar aquelas pessoas com tanta sabedoria. Gente alegre, sábia e cheia de histórias para contar. Gente que reconhece o valor da cultura e a importância de ser repassada entre as futuras gerações. Gente que espalha seu sorriso e carrega onde vai um pouquinho do seu lugar. É impossível sentar com esse grupo e não viajar nas diversas histórias e conselhos. É impossível olhar para cada um deles e não sentir admiração. Estando ali diante de pessoas tão sábias, nos sentimos privilegiadas e saímos com a lição de que o tempo é professor da vida.

Texto: Mariana Almeida

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