Impressões de visita a Salvador

No dia 14 de junho (quinta feira), durante uma viagem a Salvador, tive a oportunidade de conhecer pessoalmente a parceira e colaboradora do ITEA Cris Alves. Ainda que aposentada, Cris ainda realiza trabalhos na área e tem longo histórico de participação de prol do desenvolvimento da cultura no estado da Bahia e outras partes do nordeste. Abaixo um resumo sobre a organização cujo a qual faz parte:

 

A Associação Condomínio do Empreendedor Cultural – CEC é uma associação civil, sem fins lucrativos, instituída por pessoas físicas e jurídicas com atividades e missões semelhantes atuando nas áreas de arte, cultura, educação, ecologia, turismo e comunicação social, orientada por termos de cooperação técnica, fundada em 17 de março de 2001. Firmou-se como um coletivo de atividades culturais agregando profissionais e organizações da sociedade civil de forma colaborativa para o desenvolvimento de projetos.

Seu principal objetivo é oferecer estrutura de tecnologias sociais, recursos humanos, de equipamentos, instalações físicas e atuar fomentando atividades de formação de habilidades na área de cultura e sua interface, educação, patrimônio e memória, para os agentes de cultura. Além disso, prestar consultorias específicas na área de planejamento e organização de eventos, produção, políticas e gestão cultural; gestão do terceiro setor e desenvolvimento de projetos para acessibilidade cultural. (Cris Alves)

 

Encontrei com Cris por volta das 9 horas da manhã, no Centro de Cultura de Salvador, espaço antes utilizado pela câmara de vereadores para realização de solenidades e eventos aprovados exclusivamente pela casa. Com o tempo, o espaço foi acolhendo e desenvolvendo atividades relacionados diretamente à promoção da cultura da cidade, e logo foi aberto ao público e passou a ser utilizado para realização de eventos culturais, treinamentos, apresentações de cinema, exposições de fotografia e outros. O centro ainda abriga uma biblioteca, auditório, o Centro de Digital de Cidadania e mais recentemente, uma TV e uma rádio.

 

Salão de exposição, ambiente amplo com janelas que ocupam toda a parede, limpo e organizado

 

Durante a visita tive um momento de conversa com Cris sobre o processo de formação do movimento de colaborativas em Salvador e todos seu histórico. O Condomínio cultural surgiu na época de valorização dos pontos de cultura e é um dos poucos que ainda sobrevive, mesmo sem sede própria, o prédio que antes era sua base operações a anos está interditado para reformas e não há de fato uma previsão para realização de tal reforma.

Mesmo assim, pude perceber que o Condomínio tem papel histórico como pilar da organização do movimento, além de ser um dos maiores casos de sucesso de pontos de cultura, o ativismo feito por meio das realizações da organização possibilitou a construção da rede contatos e parcerias que ao longo dos anos se formou entorno do Condomínio, rede essa formada em eventos, fóruns, realização de atividades culturais, facilitação entre artistas/coletivos e os recursos como espaço e material, entre outros.

Logo após essa conversa tentamos ir até a secretaria de cultura do estado, e ao Teatro Vila Velha onde tentamos entrar em contato com o pessoa da Universidade livre do Teatro, outro grande exemplo de colaboradora que é referência no uso da plataforma Corais, no entanto, no dia anterior, o ator Leno Sacramento foi baleado pela polícia e nos deparamos com uma coletiva de imprensa, o que juntamente com minha agenda apertada inviabilizou a conversa com os organizadores.

Cris ainda fez um série de sugestões de locais a serem visitados em uma outra oportunidade, anotei alguns, mas ainda não pude pegar os contatos, mas assim que tiver, farei uma postagem com todos os parceiros citados por ela.

Conclusão

Assim, de maneira geral fiquei admirado com os resultados e a história do movimento na Bahia, assim como o empenho de Cris em causar impacto no fortalecimento da cultura. Do meu ponto de vista, muito do sucesso relacionado ao movimento baiano se deve ao Condomínio cultural, e como ele conseguiu se conectar com outros produtores de cultura (artistas, coletivos etc), foi necessário ter um exemplo forte de produtora como caso de sucesso para que os outros pudessem ser atraídos para parcerias formadas em mais de 10 anos de existência do grupo, ressalto ainda a parceria com o Centro de Cultura, que serve também de base de operações para realização de diversas atividades.

Fazendo um paralelo com nossa situação, acredito que podemos seguir caminhos parecidos aos da colaborativa baiana, no entanto, creio que estamos mais distantes dos produtores culturais, isso então implica na necessidade de ações que acelerem o processo de contato entre a Colaborativa Serigy e os artistas locais. Ainda ressalto a importância da parceria com o Centro Cultural de Aracaju e o núcleo de produção cultural, para que possamos ocupar esse espaço e atrair cada vez mais grupos e realizarmos atividades e ações.

 

Comentários

#1

Muito bom Igor. O caminho é esse mesmo, precisamos buscar aprender com quem tem experiência acumulada e multiplicar a informação, afim de termos em um futuro próximo,  uma grande floresta de produtoras colaborativas, firmes e sustentáveis, afim de podernos realizar produções culturais com mais cooperação, qualidade e escala.

Parabéns pela iniciativa de ter buscado o contato direto. Cris Alves é uma pessoa muito legal e importante para o que chamamos de culturas da resistência, tanto na Bahia, como aqui em Sergipe, por ser uma grande incentivadora e instigadora das iniciativas culturais de base comunitária.