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CARTA 1

CARTA 1

CARTA 1

Walton e Margaret (duas duplas) se despedem com um longo abraço. Walton parte rumo a sua aventura e em seguida eles voltam a encontrar-se através das cartas escritas por ele.

Estão juntos, ombro a ombro, Margaret voltada para o publico e Walton de costas.

Margaret: Estou muito aliviada em saber que nenhum desastre acompanhou o inicio da sua jornada e que chegou em segurança a São Petersburgo. Devo dizer-lhe, porém, que sigo apreensiva diante dos seus propósitos, e que temo pela sua vida, ao prosseguir rumo ao desconhecido com tanto fervor.

Não interprete mal as minhas palavras, sei da importância dessa aventura, e da grandiosidade dos seus objetivos de descobrir os mistérios do pólo norte, no entanto rogo-lhe que seja cauteloso.

Os dois giram juntos, Walton agora está de frente para o público e Margaret de costas.

R. Walton: Sabe que meu gosto pelas aventuras marítimas me acompanha desde a infância. Li com ardor o relato das várias viagens feitas com a intenção de chegar ao Pacífico Norte através dos mares que circundam o pólo. Minha educação foi negligenciada mas mesmo assim eu era um leitor apaixonado.

Margaret: ... sempre enfurnado na biblioteca do tio Thomas...

R. Walton: Até que soube da exigência de meu pai em seu leito de morte, proibindo meu tio de permitir que eu dedicasse minha vida às viagens marítimas, enchendo meu coração de pesar. Tornei-me então poeta, imaginei também que poderia obter um nicho no templo consagrado aos nomes de Homero e Shakespeare. Você está a par de meu insucesso e da minha enorme desilusão. Naquele momento, porém, herdei a fortuna de meu primo, e meus pensamentos voltaram-se para as minhas antigas inclinações.

R. Walton: Seis anos se passaram, até que eu decidisse levar a cabo a presente empresa.

Os dois atores que fazem R. Walton ficam de frente um para o outro, como num espelho, e iniciam uma luta.

R. Walton: Comecei por disciplinar meu corpo, habituando-o à privação.

R. Walton: Acompanhei os pescadores de baleias em várias expedições ao Mar do Norte.

R. Walton: Enfrentei voluntariamente o frio.

R. Walton: A fome.

R. Walton: A sede.

R. Walton: E a privação do sono.

R. Walton: Não era raro trabalhar com mais afinco do que os marujos durante o dia.

R. Walton: E devotar minhas noites ao estudo da matemática, da teoria da medicina e daqueles ramos da ciência...

Margaret abraça Walton por trás interrompendo-o e acalmando-o.

Margaret:  Você poderia ter o luxo e o conforto, mas decidiu aventurar-se nesta nobre missão. Sei que logo deixará São Petersburgo a caminho de 'Arcangels', onde enfrentará o frio intenso, mas peço a Deus que encontre logo um bom navio e bons homens para trabalhar contigo. Tenho esperanças que tudo acabará bem.

Os dois voltam a despedir-se.

R. Walton: Adeus, minha querida e admirável Margaret.

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