Aula 24 - Remota (Telegram e Corais) INDICADORES por CK$

"Vou comentar lá daqui a pouco, Severo... tô aproveitando meu luto de cálculo 3 num engarrafamento bizarro" Lucas de Paula.

Problematizar o "Tá tranquilo, tá favorável" na prova de Cálculo.

Os estudantes vão continuar achando normal uma avaliação que não é tranquila e muito menos favorável?

Comentários

#1

Infelizmente não acho que exista espaço para discussão nesse sentido. Os níveis de cobrança -- muitas vezes com a cobrança como o próprio fim, e não com o intuito de realmente levar ao aprendizado dos alunos -- parecem terem sido internalizados de tal forma que muitos acreditem que qualquer coisa diferente do que temos hoje seria equivalente a tirar a UFRJ do posto de excelência que ela (ainda) ocupa (apesar de todas as dificuldades). Recentemente postaram esse texto em um dos grupos para alunos da universidade, e iniciou-se uma discussão que julgava muitos dos que concordavam com o questionamento como vagabundos ou descompromissados com a faculdade. "Afinal, ninguém é obrigado a estudar na UFRJ" 

#3

Li tua reação e minha alma educadora vibrou 9 pontos na escala richter...

Rodrigo, você poderia colocar o link da discussão desse texto em um dos grupos da universidade aqui no corais, por favor?

Pessoal, o que me move, me motiva a aprender e estudar essas pessoas que eu vivo reproduzindo lá na aula (Tião Rocha, Paulo Freire, Pedro Jatobá, Joaquim Melo, Fabriqueta de Softwares, etc) é justamente porque eu acredito na existência desse espaço para discussão.

Por exemplo, eu acredito que Computadores e Sociedade está abrindo um espaço para essa discussão e vocês estão provando que é possível aprender qualquer coisa (inclusive cálculo e física) sem precisar de sofrimento, através do diálogo e com felicidade.

Outro dia desses, o Edilson me deu uma aula de cálculo usando as condições de estabilidade horizontal de um drone (vou pedir para ele mostrar para gente em sala), enquanto ele falava eu ficava viajando nas maneiras diferentes e inovadoras de aprender cálculo e física construindo artefatos que nos motivam, que nos ajudam a realizar nossos sonhos e atender às necessidades dos outros (Araçuaí presiça do drone e o Edilson está muito feliz em construir o drone).

Outro exemplo é a orientação que o Educador Henrique Cukierman está fazendo comigo. Ele é severo, mas nos deixa ser livres para buscarmos nosso caminho. Ele me proporciona aquilo que Paulo Freire chama de rigor metódico, resumindo, para alcançarmos a autonomia e a liberdade é preciso da dedicação que nos satisfaz. Em muita medida, o que move a minha pesquisa é a angústia que eu sinto quando vejo vocês (estudantes) infelizes ou extenuados em um lugar que deveria trazer a curiosidade, o prazer da aprendizagem sociotecnica e a felicidade à tona.

Tião Rocha diz que a escola deve ser um meio para se alcançar a educação, a aprendizagem. A escola politécnica não pode ser um fim, como você mesmo ressaltou, a cobrança não pode ser o fim que traz a excelência. Aliás essa cobrança vai acabar se tornando o fim da escola. Não é normal palavras como "sobrevivência" e "luto" após uma prova.

Existem maneiras diferentes e inovadoras de se aprender cálculo, a escola politécnica deveria ser um lugar de excelência em aprendizagem, mas ela se tornou uma escola ensimesmada. E sabe quem pode trazer de volta a excelência à escola? Os estudantes. Cukierman acredita que mudar a cabeça dos estudantes para novas possibilidades é mais fácil que mudar o restante do corpo escolar. E eu concordo com ele e acrescento uma vantagem estratégica para a mudança: a vantagem numérica rs (os estudantes são muitos).

O fim da escola politécnica deveria ser que vocês (nós) aprendam... Aprendam que não existe TICs sem TACs... aprendam cálculo sim, porque cálculo é importante, mas que existe outros conhecimentos/saberes tão importantes quanto cálculo. E que é possível ter o aprendizado avaliado de maneiras diferentes e inovadoras:

- quem troca uma prova de física por um aplicativo que ajuda a escolher o melhor transporte para voltar para casa baseado em estimativas de velocidades instantaneas?

- quem troca uma prova de álgebra linear ou métodos numéricos por um dispositivo que ajuda deficientes visuais a identificarem objetos e pessoas em um ambiente a partir de matrizes que definem se um corpo está na horizontal ou vertical?

- quem troca uma prova de sistemas digitais pela erradicação da discriminação de gênero na escola politécnica?

Lá vai mais uma provocação!!!

#2

Eu até posso colocar link dos comentários, mas o grupo é fechado/apenas para os alunos, então não sei se serve de muita coisa. Eu concordo com você sobre outras formas de aprendizado, e Computadores e Sociedade tem sido uma ótima aula nesse sentido, mas acredito que o formato das Unificadas tenha sido internalizado de tal maneira que a repetição mecânica e a inércia sejam maiores do que a vontade de mudar -- e os que sentem essa vontade acabam desmotivados pelo simples fato de não acreditarem na possibilidade de uma mudança, ou de não encontrarem apoio sequer entre os próprios colegas. Até mesmo a falta de flexibilidade de uma matéria unificada -- dada sempre do mesmo jeito, com o mesmo tipo de questão, sem nada de diferente ou inovador -- evidencia isso. E mesmo que as Unificadas acabem sendo as piores matérias no sentido de serem "mecanizadas", a onipresença das avaliações clássicas (provas) frente a aulas baseadas em projetos onde o conhecimento possa ser realmente aplicado já diz muita coisa. O aluno muitas vezes não entende o porquê da importância de certos conteúdos, não "sente" como as coisas funcionam colocando a mão na massa; aprende o que precisa aprender para que uma prova no final do semestre avalie o mesmo processo de sempre. 

A própria falta de comentários nessa discussão provavelmente se dá pela prova de Estatística segunda-feira. 

#4

Esse assunto rende muita discussão. A princípio devo concordar que a cobrança é bem pesada, principalmente se tratando das matérias vindas do IM e do IF, que em geral são máquinas de reprovação em massa. Os índices de reprovações estão sempre altos e é bem provável que no decorrer do curso, você vá reprovar uma matéria dessas 8(oito me concentrando em calculos e fisicas) pelo menos uma vez. Agora, imagine que peguemos essas provas e a levemos para alunos do IME ou do ITA fazerem, será que vão encontrar a mesma dificuldade? Levemos essas provas para alunos por exemplo da França, onde a matemática é algo bem cobrado desde sempre, com bastante rigor, será que a dificuldade seria a mesma? Veja que não estou levando em conta a pertinência da disciplina, se ela é importante para o curso A ou B, estou levando em conta que ela precisa ser cumprida e ponto. Qual é a diferença entre a UFRJ e os lugares que eu citei? Nós temos professores ruins, mas temos professores muitos bons, iguais a eles. Nós temos um nível de cobrança bem parecido com o deles. Afinal, qual é a diferença? Eu arriscaria dizer que tudo começa na base dos alunos que ingressam nas instituições. A UFRJ apesar de ser concorrida, é uma faculdade mais democrática se tratando de que ingressa nela. A UFRJ acolhe pessoas com uma base educacional mais fraca. Entretando, nossa querida faculdade não quer em hipótese alguma abrir mão de sua excelência histórica, ela não quer "facilitar" as coisas para que uma maior quantidade de alunos seja capaz de seguir adiante. A real expectativa da faculdade é que os alunos dela atendam o nível de cobrança que ela impõe, e não que ela diminua o nível para atender o potencial médio máximo dos alunos.

Quanto ao "Ta tranquilo, Ta favorável", é passível de se interpretar que a prova foi feita com o intuito de pegar pesado além da conta propositalmente, dado que os comentários da prova foi de que ela foi extremamente difícil, e não que ela foi razoável nos levando a entender que a mensagem teve um cunho de auto-ajuda positiva. Nesse momento entramos em outra relação, que é a Cobrança X Ensino. Será que o ensino é compatível com a cobrança? Eu já passei por todas unificadas e arrisco dizer que em umas sim, outras não.

Por fim, ressalto uma coisa: O valor da fotinha da Minerva no nosso diploma é alto em função do reconhecido esforço que temos que desempenhar para conseguirmos concluir o curso. Então, o que é preferível? Uma atenuação da dificuldade para que se possa concluir o curso e o valor do diploma, que é sinônimo do esforço, talvez amargue um pouco, ou manter a dificuldade e o valor do diploma?

NOTA: Eu queria falar muito mais, mas já falei muita coisa.

#5

Celso, olraite, mas ... desconfio que o valor do diploma não guarda essa relação tão direta  com o "esforço" do aluno. Suspeito que talvez (talvez, teria de se estudar essa situação melhor) esteja muito mais relacionado ao filtro social do vestibular: os melhores alunos do ensino médio vêm para a UFRJ. E se eu estiver certo, o que estamos fazendo com esses melhores alunos, a título de valorizá-los por conta desse "esforço", está  aquém dos seus quereres, saberes e poderes. Não que o esforço não seja importante. Pelo contrário, ele é fundamnetal, mas torna-se mais fundamnetal ainda se estiver apontado em uma direção mais promissora. Ao menos é assim que eu vejo o esforço de conduçaõ do curso dos Profs. Severo e Braga

#6

Na minha opinião essa discussão vai além de uma avaliação que pega pesado ou não. Infelizmente, seguir dormindo pouco por alguns dias ou semanas e estudar por conta própria, as vezes, precisando ser autodidata é tratado como normal ou esperado.

Acredito que mais importante do que avaliar a “tranquilidade“ das prova, seja avaliar como ela vem sendo lecionada, a capacidade dos professores envolvidos em passar o conhecimento, e também no tempo que existe disponível para os alunos estudarem fora das aulas.

Não só nas matérias unificadas como também em matérias especificas existem professores que não sabem repassar o conhecimento e conduzir uma aula. Óbvio que não são todos e provavelmente existem em qualquer instituição de ensino.

Além dessa questão, existe também o que chegamos a debater sobre o currículo de ECI e engenharia no geral, o tempo livre é muito curto. Sério, considerando o tempo que a gente passa no fundão, além do tempo para se deslocar até em casa, manter a matéria bonitinha em dia é quase um sonho.

Penso que esses dois pontos, dentre outros, afetam muito o que a gente pode achar sobre a dificuldade das provas. Como exemplo, hoje estávamos falando sobre como Teoria dos Grafos é uma matéria complexa mas se torna bem mais tranquila pela forma como é lecionada e explicada pelo professor.

#7

Opa, olha eu aqui!

Pra mim, o maior problema é o fato de existirem matérias unificadas. Pra mim, não tem coerencia a parte em que eu tenho aula de um professor, mas, no final, sou avaliado por outros. Pra mim, isso dá certo quando as aulas são em alto nível com TODOS os professores envolvidos, o que não é o nosso caso. Nao passa nem perto!

Todo início de período o que mais vemos são pessoas perguntando como é a aula de fulano ou ciclano nas unificadas. Uns fogem de fulano, buscam pela aula de ciclano, e assim ficam turmas super lotadas e outras super vazias. Acredito que há interesse dos alunos na busca pelo conhecimento justamente por isso: buscar o professor que ensine num nível que se aproxime do nível da prova.

ALém disso, alguns professores tem uma mão bem pesada nas correções. Nesse período, por exemplo, puxei calculo 3 com o Anatoli, que todos dizem ser o terror. Em sala, ele é um EXCELENTE Professor, aprendi bastante com ele, fui bem na p1, mas no final ao ver as correções, a questão que achei que tivesse ido melhor na prova, foi a que menos tirei ponto. E adivinha quem foi o responsável pela correção dela? O próprio Anatoli.

Enfim, concluindo: para que o sistema de provas unificadas dê certo, é preciso que haja uma homogeneização do ensino e correção, para que a avaliação não seja injusta.

#8

Feynman sobre a educação brasileira http://www.uel.br/cce/fisica/pet/EnsinoRichardFeynman.pdf