Relatos de Trincheira em Plena Pandemia

Não são tempos fáceis, Vivemos uma crise sem precedentes, assolado por um virus maldito e pensamentos fascistas. Quando fui diagnósticado em 12/03, me faltavam 30 dias para alcançar a idade mágica: completar 50 anos. Na madrugada, não veio o sono e escrevi um breve texto sobre as incertezas do momento, que em algum tempo irei compartilhar. Incertezas, angústias, o medo de um agravamento súbito, dores, a perda do controle do corpo, o abandono repentino de tantas lutas, que agora parecem não ter muito sentido. o temor de não acordar. Enquanto a toda hora chegam notícias de perda, adoecimento de pessoas próximas, falecimentos repentinos.  Ao mesmo tempo, a ânsia de viver, retomar caminhos, refazer contatos e histórias.Redefinir rotinas, andar de bicicleta, nadar ou correr na praia. Pular no fundo de um igarapé, ser guiado pela correnteza de um rio, seguir um galho que passa de bubuia lentamente, lembrando um corpo cabano, flutuante, lembrando lutas de um passado/presente. Agradecer a vida, viver a vida é o que nos resta. Vacina para todos.

Comentários

#1

Égua mano você é de uma sensibilidade e força inspiradora! Torcendo pela sua breve recuperação, pra lhe rever nas trilhas e trincheiras com o seu chapéu cabano do qual nunca abriu mão!
 

#2

Em meio a tanta angústia, ler suas palavras me faz querer seguir sempre! Conte sempre comigo e ainda vamos comemorar seus 50 anos com um belo sarau, do jeito que a gente gosta!

#3

Querido mestre prof. Agnaldo, estivemos todos muito preocupados com sua saúde e apesar desse momento que vivemos estamos felizes com o seu paulatino retorno para nos liderar no meio desse território em disputa. Vc é como uma grande samaumeira é um ponto de referência para todos nós e neste curto espaço de tempo ganhei um mentor tanto no aspecto do saber das ilhas e da floresta quanto no lado acadêmico, gracias pelo presente que és nas nossas vidas caboco. Grande abs.