CENA ELIZABETH

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Victor está sozinho, de pé, diante do túmulo de Elizabeth. Não carrega nada nas mãos.

 VICTOR – Elizabeth, não tive o tempo de não te amar. Não precisei deixar jamais minha casa para encontrar o amor. Tão perto de mim estavas, que a vida, pra mim, desde o começo, foi pintada com a tua cor, teve sempre o teu perfume, o teu som, o teu tom, teu ardor. Ao teu lado, cresci, sem saber nunca o que é dor. Mais fiel que o cão mais amigo, mais leve que o ar, profunda como o mar, doce promessa que sempre se cumpre, filha, mãe, irmã, gatinha cheia de manhas. Andavas como quem dança nas asas de um anjo, ah tuas mãos ágeis como as da mais hábil tecelã, teus olhos que tudo viam, teus seios que guardavam mel. Eras frágil como a flor e, se preciso fosse, forte como o trovão e ainda  vasta e clara como a estrada que corta o campo de trigo em um dia de verão.

Carregavas em ti, também, sem o saber, uma terrível maldição.

Perto de ti tudo se transformava. E tu mudavas o tempo todo sendo sempre uma só. Gatinha manhosa, meu bichinho de estimação, doce criança ou se assim o quisesses, sábia senhora a quem se deve respeito. Agora, estás... morta. Toda a graça acabou. Não há mais vida. Não há mais nada. Nunca mais o amor.

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