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Memorial – Oficina 27.08.2014.

Memorial – Oficina 27.08.2014.

Foi uma tarde de muito trabalho, pois tudo que viemos construindo desde o início da oficina estava se materializando num personagem.  E mais, esse personagem deveria se sustentar dentro de um jogo com regras, mas sem um roteiro teatral pré-estabelecido, apenas com a troca de energia entre colegas e nossos recursos imaginativos individuais. Novamente fiquei impressionada como a técnica da respiração e música, do pulso, dá base pra emoção e a sustenta. No primeiro momento tive dificuldade em liberar energia, tenho algumas inseguranças acumuladas e quando fico nervosa tendo a ter crises de risos (minha risada deixa a dúvida sobre uma possível familiaridade do ser humano com as gralhas). Tento, então, me concentrar bastante pra realizar os exercícios. Acabou que retive energia demais e isso fez meus dedões ficarem durinhos, quase paralisaram. Depois que Marcio fez a observação sobre o liberar e não somente manter, consegui trocar melhor com o outro, buscando sempre um motivo praquele olhar, praquela respiração, tudo dentro da estória da mulher que tinha criado.

Quando passamos pra outra parte, já estava mais segura, pois percebi, do básico, o que era preciso pra dominar o personagem. Gosto dessa racionalidade do processo, porque ele pode ser compreendido, mantido, repetido, e assim, melhor explorado. Por consequência, o nome dela surgiu tranquilamente, como resposta a toda uma construção sonora, respiratória, orgânica.

Quando fizemos a roda ainda estava processando os três dias, o que significaram na minha formação, e daí quando foi minha fez de falar acho que saíram delírios de uma pessoa apaixonada. Gostei muito dos pés no chão que o pessoal antigo da Livre trouxe e a contextualização histórica, social, econômica, do Teatro Vila Velha. Senti muita confiança no projeto, não gosto do reducionismo, umbiguismo, ou qualquer ismo desses, e parece-me que o projeto corre desses padrões que muitas vezes são a tônica das relações artísticas.

Achei importante Marcio falar de detalhes, de vontades, do fato de existir demandas reais, carregada de uma história real, dependentes de pessoais de carne e osso... A possibilidade de me envolver num projeto estético em permanente construção, de busca, experimentação, repleto de ousadia, me deixa realmente a flor da pele. Enfim, no final das contas esse Memorial é uma ilha de edição, né, é memória! Quero estar presentes, pés no chão, cabeça no devido lugar (um pouco na Terra, um pouco do lado de lá) e mãos na massa! Muito obrigada a todos, estou radiante, intrigada (tipo o solzinho símbolo do Vila - reparem a cara de intrigado dele!), e me organizando pra conseguir me doar, espero conseguir.

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